quinta-feira, 4 de julho de 2013

Tudo o que você queria saber sobre coceiras

Várias coisas (alergias, substâncias irritantes, doenças de pele e até mesmo doenças psicológicas) podem causar coceira, mas qual seria, no corpo, o mecanismo por trás disso?

Afinal, por que sentimos coceira?


De acordo com um artigo recente da revista Science, foi descoberto que a coceira é ativada por um neurotransmissor que nomearam de Nppb, que desencadeia o processo após receber certos tipos de estímulos. 

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores usaram manipulação genética para desenvolver ratos que não produzem Nppb. “Quando expusemos esses animais a diversas substâncias que induzem coceira, foi incrível de observar”, conta Santosh Mishra, um dos autores. “Nada aconteceu. Os ratos não se coçavam”.

Em seguida, eles injetaram o neurotransmissor no organismo dos animais – e isso, por si só, lhes causou coceira. Além disso, removeram suas células da espinha dorsal que atuam como receptores do Nppb e, embora os ratos respondessem normalmente a estímulos de toque, temperatura e dor, sua resposta a coceira induzida por histamina foi “dramaticamente reduzida”.

Com isso, eles concluíram que o neurotransmissor Nppb “é ao mesmo tempo necessário e suficiente para a transmissão de sinais periféricos que induzem respostas padrões a coceira”. Ao mesmo tempo, esse neurotransmissor está envolvido em outros processos (no coração e nos rins, por exemplo), portanto, utilizá-lo para tratamentos que visam diminuir sua produção para reduzir coceira poderiam ter efeitos colaterais perigosos.

“Agora, o desafio é encontrar biocircuitos similares em pessoas, avaliar o que há neles, e identificar moléculas únicas que podem ser atingidas para reduzir coceira crônica sem causar efeitos colaterais”, destaca o pesquisador Mark Hoon.


E por que coçar traz alívio?


Coçar um lugar que está “incomodando” faz com que uma espécie de alavanca da coceira, na espinha, seja desativada. Testes em macacos mostraram que, ao ser coçado um ponto que gera incômodo, esse ponto manda sinais para o cérebro.

Se compreendermos como esse processo funciona, pessoas com Aids e com o mal de Hodgkin (doenças que causam coceira e que não podem ser “aliviadas” com uma simples pomada) podem passar por um tratamento e se sentirem melhor, livres da coceira.

“Há mais de 50 doenças que produzem coceira que não pode ser facilmente tratada” explica Glenn Gieseler Jr., da Universidade de Minessota. Em estudos anteriores, o pesquisador e seus colegas mostraram que neurônios, em uma parte especial do cordão espinhal, ficam muito agitados quando uma substância que provoca coceira é colocada na pele.

Gieseler diz que, depois que o local é coçado, um sinal é enviado ao tálamo, uma parte do cérebro, e é recebido como se fosse um sinal de dor. Mas ainda não havia ficado clara a maneira com que a coceira funcionava. Porque nos sentimos aliviados, afinal, se o cérebro recebe toda a informação como dor?

Estudando macacos, a equipe de Gieseler grudou vários eletrodos nos animais e depois passaram substâncias que ativavam a coceira em suas peles. Eletrodos também foram ligados aos nervos responsáveis por transmitir as informações sobre a coceira.

“Quando os macacos coçavam o lugar da coceira, o sinal da coceira simplesmente desaparece” diz Gieseler. “Esse estímulo faz com que os neurônios ‘da coceira’ parem ou desacelerem por 30 ou 40 segundos – que é o tempo em que sentimos alívio depois de coçar”.

“Isso sugere que os neurônios do cordão espinhal são ‘desligados’ quando nos coçamos” conclui. Gieseler diz que o próximo passo é descobrir como esse circuito funciona e quais são os químicos e neurotransmissores envolvidos no processo. “Se soubermos como ativar o sistema de alívio sem ter que apelar para a coceira, a qualidade de vida de um grande número de pessoas irá melhorar” completa. 


Coceira pode ser contagiosa?



Curiosamente, os pesquisadores revelam que a coceira também pode ser contagiosa da mesma forma que o bocejo, por exemplo. 

De uma perspectiva biológica, é possível dizer que a coceira é uma forma de nos alertar contra possíveis ameaças, como alergias ou insetos. Seria o sinal que há alguma coisa estranha acontecendo com o nosso corpo.

Na pesquisa, pesquisadores colocavam uma solução que causava coceira ou uma solução “placebo”, que não deveria causar coceira alguma, no braço de voluntários. E então os voluntários deveriam assistir um vídeo de uma pessoa se coçando. Foi comprovado que a substância placebo também causava coceira.

Também foi provado que pacientes que já sofriam com problemas de coceira eram mais suscetíveis a sugestões visuais – alguns dos voluntários sofriam com dermatite e eles eram mais sugestionáveis, se coçando com mais freqüência quando expostos a substância placebo.

Fonte: Hypescience.


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